A hora e a vez dos gatos

Você gostou?

A hora e a vez dos gatos

Conheça a história de pessoas que são apaixonadas por seus gatos, e garantem que eles trouxeram mais alegria para suas vidas.

Os animais de estimação estão ganhando cada vez mais espaço, não apenas nos lares e corações de seus tutores, como também na mídia e campanhas publicitárias. Basta pesquisar na internet para encontrar Pets Influencers, bichinhos com mais seguidores do que muitos artistas. É o caso da gatinha Tardar Sauce, com mais de 2,5 milhões de seguidores. Considerada pelos internautas como celebridade da web, a gatinha sem raça definida ficou conhecida por sua aparência, devido a boca ser encurvada para baixo, o que lhe dá o aspecto de rabugenta. A fama lhe rendeu produtos que levam a sua imagem, como roupas e alimentos para gatos.

Admirados pela elegância e personalidade, os felinos não carecem de esforços para atraírem olhares, independente da raça. Inteligentes – de acordo com especialistas possuem cérebro mais evoluído que os cães – sabem se expressar seja no leve balançar da cauda ou quando ronronam, um som que emitem quando estão relaxados, e até mesmo com fome.

Por serem caseiros, não é comum ver gatos passeando de coleira e guia pelas ruas, como acontece com os cães. E um detalhe curioso é que os ‘gateiros’ raramente criam apenas um bichano, e há quem diga que essa paixão vicia. Observa-se que o estilo de vida, personalidade e tempo podem definir a escolha, seja pelo gato, cão ou ambos. Mas algumas escolhas acontecem em momentos delicados, e foi o que ocorreu com a cirurgiã-dentista Milca Padilha Marinho, 44 anos.

Após sofrer uma decepção amorosa, algo que afetou suas emoções, Milca começou a participar ativamente da causa de proteção animal. Para ela, esse amor pelos animais serviu para aplacar sua dor, algo que aconteceu após a adoção de onze gatos e dois cães. “Fui muito ferida por alguém que eu amava bastante. Eu não tinha animais e nem queria. Não tenho filhos e gostava de ter minha liberdade”, explica Milca, que ao primeiro contato com a gata Katie mudou totalmente de opinião.

Vale destacar que o animal de estimação não vai substituir uma pessoa, mas torna-se parte da família. Existem relatos de pessoas que encontraram bem estar na zooterapia, até mesmo em casos de depressão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o número de pessoas que vivem com depressão no mundo ultrapassa os 300 milhões. A Terapia Assistida por Animais (TAA) apresenta resultados surpreendentes com crianças, idosos e enfermos. Em São Paulo, por exemplo, no hospital Albert Einstein, pacientes internados recebem visitas de seus animais, o que acontece após autorização do médico.

Milca mudou de cidade e foi morar com os pais em Rio das Ostras/RJ, onde construiu um gatil funcional, com ambiente externo planejado com toda segurança necessária para que todos possam aproveitar, também, ao ar livre. A dentista comenta que muitos relacionamentos não deram certo por causa de seus gatos. Quando questionada se não seria melhor doá-los, isso era o suficiente para terminar o namoro.

“Fiz terapia uma vez e na segunda sessão a psicóloga, que se dizia gateira, falou que eu tinha gatos demais, e que deveria pensar em me desfazer deles. Eu me desfiz foi dela, não voltei mais”, expõe Milca, que na época tinha sete gatos, e todos com um histórico de sofrimento e abandono.

Houve um momento em que percebeu o que estava fazendo com a própria vida, e pelos animais resolveu mudar. Então, era necessário parar de remoer a dor que carregou durante anos. “Aquilo virou passado, agora meus gatos e cães são o meu presente. Deus manda aqueles que nos curam. Foi assim que aconteceu na minha vida”, finaliza Milca.

Os felinos são muito independentes, o que não os tornam solitários. Higiênicos, eles escondem suas necessidades fisiológicas, mesmo vivendo em apartamento, daí a importância de adquirir caixas com areia sanitária, de preferência sem perfumes, que pode ser prejudicial à saúde do animal. Quanto à alimentação são bem seletivos, e em alguns casos rejeitam a ração, algo que deve ser trabalhado, pois muito tempo sem comer pode causar danos à saúde, alerta os veterinários.

Moradora do Novo Gama, um município do estado de Goiás, a mineira Beth Paiva, 47 anos é uma referência no resgate de animais. Protetora individual, ela realiza parcerias com o Abrigo Flora e Fauna (um trabalho voluntário, que abriga mais de 700 animais vítimas de abandono e maus tratos), tanto em resgates, quanto oferecendo lar temporário, além de campanhas para adoção responsável, doações de rações e castrações.

O trabalho dos protetores não é fácil, principalmente por questões financeiras. Os custos são altos e os voluntários não conseguem arcar com tantas despesas, o que faz necessário o apoio da população. De acordo com Beth são muitos animais abandonados na porta do abrigo e em sua residência. Ao serem resgatados eles necessitam de exames, vacinas, alimentação, e muitos estão feridos ou mutilados.

Segundo Beth, que cuida atualmente de 22 gatos e dois cães, o abandono ocorre pela falta de consciência das pessoas. Ela reforça sobre a importância da castração, que evita fugas noturnas, ferimentos devido a brigas com outros animais, atropelamentos, além do risco de incidência de câncer de ovários e testículos. Além de diminuir o número de animais abandonados. Outro detalhe que chama atenção é a preferência em adotar apenas filhotes.

“Muitos gatos chegam machucados. Estou cuidando de um que teve o olho perfurado. Infelizmente o ser humano é cruel, por isso não meço esforços para ajudá-los”, diz Beth, que investe a aposentadoria que recebe com os resgatados.

Semanalmente a protetora posta vídeos em seu perfil pedindo a população local que pare de deixar animais em sua porta. Dois filhotes de gato foram mortos pela cadela que fica em uma casa alugada, utilizada como lar temporário. “Deixaram os filhotes dentro de uma caixa de sapato, e a cadela, por não reconhecer os bichinhos, os matou. Isso é muito triste. Quem não quer ou não pode cuidar, deve pedir ajuda nos abrigos e não abandonar, isso é maus tratos”, alerta.

Agradecimentos:

Beth Paiva: https://www.facebook.com/beth.paiva.98

Milca Padilha Marinho: @a.casa.das.gatas

Recomendamos para você:

The following two tabs change content below.
Márcia Casali, natural do Rio de Janeiro/RJ, é jornalista, assessora de comunicação, social media e ativista dos direitos dos animais. Possui graduação em jornalismo pelo Instituto de Educação Superior de Brasília – IESB. Reside atualmente em Brasília/DF. Desde criança, já “atuava” como repórter em frente ao espelho, e sempre desejou atuar no jornalismo investigativo. De 2006 a 2009 trabalhou no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) quando esteve a frente da assessoria do Fórum Brasileiro do Processo Kimberley e organização da Sessão Solene na Câmara dos Deputados do Centenário do Serviço Geológico Brasileiro. De 2010 a 2015 atuou como jornalista na Revista Foco e Revista Filadélfia, produzindo matérias de capa, editorias de moda, saúde, educação, finanças, arte e pet. Em 2011 trabalhou no Jornal do SBT Brasília como produtora e repórter. Além de assessorar o chef francês Lionel Ortega. Em 2014 trabalhou como consultora da Telefônica Brasil. Atualmente auxilia o esposo na empresa El Elyon Solutions, dando suporte como social media. Além da parceria com o blog Bicho de Apê com redação de conteúdos. Contato: 61 99202-3376

Latest posts by Marcia Casali (see all)